Câncer de mama em homens e o diagnóstico tardio

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Na explicação do Dr. Vinicius Rodrigues, a baixa frequência do câncer de mama masculino, que responde por cerca de 1% de todos os casos da doença segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, ajuda a entender um problema recorrente: como a doença é associada quase exclusivamente às mulheres, muitos homens ignoram os sinais iniciais e chegam ao diagnóstico em fase avançada. Responder às dúvidas mais comuns sobre o tema é uma forma direta de reduzir esse atraso.

Homens também têm tecido mamário

A dúvida inicial costuma ser como a doença pode surgir em quem não tem mamas desenvolvidas. Todo homem tem uma pequena quantidade de tecido mamário atrás do mamilo, com ductos semelhantes aos encontrados nas mulheres. É nesse tecido que o tumor se forma.

O tipo mais frequente é o carcinoma ductal invasivo, o mesmo que predomina no público feminino. A maior parte dos tumores masculinos é sensível a hormônios, característica que, de acordo com Vinicius Rodrigues, orienta o tratamento e permite o uso de terapias hormonais após a cirurgia. Cirurgia, radioterapia e quimioterapia seguem princípios semelhantes aos adotados para as mulheres, com ajustes conforme o estágio da doença.

Quem tem mais risco?

A idade é o fator principal. A doença aparece com mais frequência em homens acima dos 60 anos. Histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, sobretudo quando há mutação no gene BRCA2, eleva o risco de forma significativa. Homens portadores da mutação também têm maior probabilidade de desenvolver câncer de próstata e de pâncreas.

Condições que aumentam a proporção de estrogênio no organismo também pesam. Obesidade, doenças hepáticas crônicas e a síndrome de Klinefelter, alteração genética em que o homem nasce com um cromossomo X a mais, estão entre os exemplos. Radioterapia prévia no tórax completa a lista.

Sinais que merecem avaliação

O sinal mais comum é um nódulo endurecido, geralmente indolor, localizado logo atrás do mamilo ou próximo a ele. Retração do mamilo, secreção com sangue, feridas que não cicatrizam, alteração na pele da região e caroço na axila também justificam consulta médica.

Como a quantidade de tecido é pequena, o tumor atinge com rapidez a pele e os músculos do tórax. Para Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a proximidade dessas estruturas torna a demora ainda mais crítica no homem, porque poucos centímetros de crescimento já podem alterar o estadiamento da doença.

Diferença entre ginecomastia e tumor

Muitos homens confundem o nódulo com ginecomastia, aumento benigno das mamas comum na adolescência, no envelhecimento ou com o uso de alguns medicamentos. A ginecomastia costuma ser bilateral, macia e centralizada sob o mamilo. O tumor tende a ser unilateral, firme e, por vezes, fixo aos planos mais profundos.

A distinção definitiva, porém, depende de exame clínico e de imagem. A mamografia e a ultrassonografia são usadas também no homem e ajudam a diferenciar as duas situações. Quando há suspeita, a biópsia confirma o diagnóstico. Na prática, qualquer nódulo novo e persistente por mais de algumas semanas merece avaliação, independentemente da idade.

Por que não existe rastreamento para homens?

A baixa incidência na população masculina em geral não justifica convocar homens sem sintomas para mamografia periódica. O número de exames necessários para encontrar um caso seria muito alto. A exceção são homens com mutação genética conhecida, que podem ter acompanhamento individualizado definido pelo médico.

Sem rastreamento, a detecção depende de informação e atenção aos sinais. Conforme destaca Vinicius Rodrigues, levar o tema às consultas de rotina e às campanhas de conscientização ajuda a desfazer a ideia de que câncer de mama é assunto exclusivamente feminino, e é essa mudança de percepção que tende a antecipar o diagnóstico.

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