Uma dificuldade percebida no cotidiano da comunidade escolar deu origem a uma experiência de educação científica e sustentabilidade na Zona Norte do Recife. Estudantes do 5º ano C da Escola Municipal Luiz Lua Gonzaga, localizada na Bomba do Hemetério, desenvolveram uma proposta para enfrentar a falta d’água observada na unidade e no entorno. O trabalho resultou na instalação do primeiro sistema de captação de água da chuva da escola.
A estrutura foi instalada pela Prefeitura do Recife após o projeto elaborado pelos alunos em sala de aula. Segundo a Prefeitura do Recife, a iniciativa foi concluída em 22 de setembro de 2026 e divulgada oficialmente dois dias depois. A solução combina participação estudantil, aproveitamento de um recurso natural e uma alternativa de baixo custo para atividades que não dependem de água potável.
Como funciona o sistema instalado na escola
O sistema utiliza uma bombona com capacidade para 200 litros. A água da chuva é recolhida por uma calha instalada no telhado da escola, conduzida por canos e filtrada antes de chegar ao reservatório. A montagem transforma a cobertura da unidade em uma área de coleta e permite armazenar parte da água precipitada para uso posterior.
O volume reunido poderá ser empregado na limpeza de pátios e banheiros, além da irrigação das plantas cultivadas nas atividades de agricultura urbana da própria escola. A água armazenada, portanto, não substitui o abastecimento convencional nem deve ser tratada como fonte para consumo humano. O uso previsto está relacionado a tarefas que não exigem água potável.
Além de apresentar uma resposta prática a uma necessidade identificada pelos estudantes, a proposta permite visualizar etapas de um sistema de aproveitamento de água: captação, condução, filtragem, armazenamento e utilização. Essa sequência aproxima conceitos trabalhados em sala de aula da rotina da escola e ajuda a demonstrar como soluções simples podem ser planejadas a partir da observação do território.
Alunos participaram da elaboração da proposta
Antes da instalação, cada estudante elaborou um desenho com sua ideia para o sistema. As propostas foram discutidas com a equipe da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana, responsável por analisar as possibilidades de aplicação do projeto. O processo colocou os alunos no centro da construção da solução, desde a identificação do problema até a definição de uma alternativa para a unidade.
A experiência também foi pensada para ultrapassar os limites da escola. Conforme as informações divulgadas pela Prefeitura, o sistema pode servir de referência para outros espaços da comunidade, incluindo residências. A iniciativa mostra como uma estrutura composta por calha, canos, filtro e reservatório pode ser compreendida e adaptada conforme as necessidades de cada local, sempre respeitando os usos adequados para a água coletada.
O projeto integra a iniciativa “Construindo uma Escola Verde Afrocentrada”. Nesse contexto, a Escola Municipal Luiz Lua Gonzaga foi selecionada entre 50 escolas brasileiras para concorrer ao Prêmio Nacional Liga STEAM, na categoria Ensino Fundamental. A proposta amplia o alcance da atividade ao relacionar educação, sustentabilidade, ciência e participação da comunidade escolar.
Educação ambiental ligada à realidade do Recife
Em uma cidade como o Recife, onde períodos de chuva convivem com desafios relacionados ao abastecimento e à infraestrutura urbana, discutir o uso responsável da água dentro da escola pode produzir aprendizados que chegam às famílias. A captação não resolve, sozinha, problemas de fornecimento, mas oferece aos estudantes uma forma concreta de compreender o aproveitamento da chuva e os limites de cada finalidade.
A página temática da Secretaria de Educação do Recife reúne informações institucionais sobre a área. No caso da Escola Municipal Luiz Lua Gonzaga, a iniciativa descrita pela Prefeitura associa a rotina pedagógica a uma intervenção visível no espaço escolar: a água captada pode apoiar a manutenção da unidade e o cultivo de plantas, enquanto o projeto estimula os alunos a pensar em alternativas para problemas do cotidiano.
Mais do que instalar um reservatório, os estudantes participaram de um percurso de investigação e planejamento. A falta d’água observada na escola e na comunidade foi convertida em pergunta, desenho e proposta técnica. O resultado é uma experiência que valoriza o conhecimento produzido na escola pública e apresenta a sustentabilidade como prática possível, com aplicação direta no território onde os alunos vivem e estudam.

