Startup pernambucana usa inteligência artificial para acompanhar pacientes após a alta hospitalar

Redação Gazeta Pernambuco
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Uma startup pernambucana desenvolveu uma solução de inteligência artificial para acompanhar pacientes durante o período posterior à alta hospitalar. Criada pela Aicury, a plataforma Luci utiliza um webchat para coletar informações dos usuários, identificar possíveis sinais de complicações e encaminhar alertas às equipes de saúde responsáveis pelo acompanhamento.

Segundo reportagem publicada pela Agência Sebrae de Notícias, a ferramenta monitora os pacientes por até 30 dias após a saída do hospital. A tecnologia já alcança mais de 20 mil pessoas por mês em hospitais públicos de Pernambuco e da Paraíba, de acordo com informações divulgadas pela empresa e pelo Sebrae.

A proposta busca enfrentar uma etapa sensível do cuidado: o período em que o paciente deixa o ambiente hospitalar, mas ainda pode apresentar sintomas ou complicações relacionadas ao tratamento. Em vez de depender apenas de um retorno presencial ou de contatos pontuais, o sistema mantém uma comunicação digital para reunir informações e apoiar a avaliação dos profissionais.

Como funciona a plataforma Luci

O contato com o paciente ocorre por meio de um webchat. A partir das respostas fornecidas, a inteligência artificial organiza os dados e pode apontar situações que exigem atenção da equipe de saúde. O objetivo é contribuir para que sinais de alerta sejam percebidos com mais rapidez, sem substituir a análise clínica ou as decisões tomadas por profissionais habilitados.

Nas unidades em que a ferramenta é utilizada, a Aicury afirma que a taxa de reinternação caiu de aproximadamente 12% para 5%. A empresa também informa que o tempo médio para identificar complicações teria sido reduzido de cerca de 15 dias para dois dias. Esses resultados foram apresentados pelas instituições envolvidas e, portanto, devem ser entendidos como dados divulgados pela empresa e pelo Sebrae, não como uma avaliação independente abrangente da tecnologia.

A solução também não elimina a necessidade de atendimento médico, acompanhamento presencial ou procura por serviços de emergência quando houver indicação. O papel descrito para a plataforma é apoiar o monitoramento e facilitar a comunicação entre pacientes e equipes, especialmente em uma fase na qual mudanças no estado de saúde podem exigir resposta rápida.

Experiência dos fundadores orientou criação da startup

A origem da Aicury está relacionada à experiência da enfermeira Geicianfran Roque, cofundadora da empresa, e do enfermeiro José William Araújo. A startup foi estruturada a partir de estudos ligados à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mantém relação com o Parque Tecnológico e Científico da instituição.

Em publicação sobre a trajetória da empreendedora, o Parque.TeC da UFPE destacou a participação da CEO da Aicury no ecossistema de inovação da universidade. A conexão com pesquisa, incubação e desenvolvimento tecnológico ajudou a aproximar a solução de desafios concretos enfrentados pelos serviços de saúde.

O caso mostra como iniciativas de tecnologia desenvolvidas em Pernambuco podem ser aplicadas a problemas específicos da assistência. No acompanhamento pós-alta, a coleta estruturada de informações pode ajudar a reduzir o intervalo entre o surgimento de um sintoma e a comunicação à equipe responsável, desde que integrada aos fluxos de atendimento existentes.

Projeto no Hospital das Clínicas da UFPE

A Aicury também esteve associada a um projeto de chatbot voltado ao acompanhamento de pacientes cirúrgicos do Hospital das Clínicas da UFPE. Em setembro de 2024, o Centro de Informática da UFPE informou que a solução era direcionada à vigilância pós-alta de pacientes do hospital.

O projeto tinha como foco a identificação antecipada de infecções e outras complicações após procedimentos cirúrgicos. A iniciativa também foi apresentada em um showcase de inovação em saúde digital do Hospital das Clínicas, conforme registro publicado pela UFPE.

A experiência no Hospital das Clínicas ajuda a contextualizar o desenvolvimento da tecnologia, mas não permite concluir que os resultados divulgados para todas as unidades sejam automaticamente aplicáveis a qualquer hospital ou perfil de paciente. O desempenho de ferramentas desse tipo depende da estrutura disponível, da adesão dos usuários, da integração com as equipes e dos protocolos adotados por cada serviço.

Inovação exige cuidado com dados e acompanhamento profissional

Por lidar com informações relacionadas à saúde, uma plataforma de monitoramento pós-alta precisa operar dentro de rotinas capazes de proteger os dados dos pacientes e garantir que os alertas sejam avaliados por profissionais. A inteligência artificial pode organizar respostas e apoiar a vigilância, mas a interpretação clínica continua sendo uma etapa essencial do cuidado.

Com a Luci, a Aicury coloca uma solução desenvolvida em Pernambuco no debate sobre o uso de tecnologia na saúde pública. A proposta combina comunicação digital, acompanhamento por tempo determinado e acionamento das equipes diante de possíveis sinais de risco. Os resultados apresentados pela empresa ainda devem ser analisados de acordo com o contexto de cada unidade, mas indicam o potencial de ferramentas digitais para aproximar o paciente do serviço de saúde depois da alta.

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