O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram nesta sexta-feira (16) a ampliação dos recursos destinados a projetos inovadores de empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O valor, divulgado durante uma agenda no Recife, passou de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões.
O anúncio foi realizado no auditório da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), na capital pernambucana. Embora o evento tenha ocorrido em Pernambuco, os recursos não são exclusivos para empresas do estado: o programa contempla iniciativas dos três recortes regionais definidos na chamada pública Mais Inovação Brasil – Subvenção Econômica.
Segundo a Finep, a suplementação de R$ 150 milhões permitirá apoiar 114 empresas e projetos inovadores. O grupo reúne 78 iniciativas selecionadas inicialmente e outras 36 que haviam sido recomendadas para contratação, mas ficaram fora do orçamento previsto na primeira etapa.
Recursos não reembolsáveis ampliam espaço para projetos de risco
A chamada pública foi estruturada para financiar projetos que envolvem inovação e risco tecnológico. Diferentemente de um empréstimo tradicional, a subvenção econômica utiliza recursos não reembolsáveis, mecanismo que pode reduzir a dificuldade enfrentada por empresas durante etapas como pesquisa, desenvolvimento e validação de produtos ou soluções.
Esse tipo de apoio é especialmente relevante para negócios que precisam investir antes de alcançar escala comercial. Projetos tecnológicos podem demandar testes, contratação de equipes especializadas e desenvolvimento de protótipos, além de apresentar resultados incertos. Ao ampliar o orçamento, o programa passa a contemplar propostas que já haviam avançado na seleção e demonstrado aderência aos critérios estabelecidos.
De acordo com as informações divulgadas pela Finep, os projetos apoiados devem apresentar potencial de impacto no desenvolvimento regional e relevância social. A proposta é direcionar o investimento público para iniciativas capazes de contribuir com a criação de soluções tecnológicas e com o fortalecimento da atividade inovadora fora dos principais centros econômicos do país.
Seleção recebeu 587 propostas
A chamada recebeu 587 propostas de empresas interessadas em obter apoio. Desse total, 400 foram habilitadas para a etapa de avaliação técnica, fase em que os projetos são analisados segundo os critérios previstos no edital e sua capacidade de responder aos objetivos da política de inovação.
O processo contou com a participação de analistas do Sebrae, da Sudene, da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). A presença das instituições relaciona a seleção às características e às necessidades dos territórios abrangidos pelo programa.
Com a ampliação anunciada no Recife, as 36 propostas recomendadas que não tinham sido incluídas por limitação orçamentária passam a integrar o conjunto de projetos contemplados. A medida aumenta o número de empresas apoiadas sem alterar a abrangência regional da chamada, que permanece voltada ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Recife como ponto de articulação regional
A escolha do Recife para o anúncio reforça o papel da cidade como espaço de articulação de iniciativas ligadas à ciência, tecnologia e desenvolvimento econômico. A presença da Sudene no evento também evidencia a conexão entre políticas nacionais de inovação e estratégias voltadas à redução das desigualdades regionais.
Para empresas de base tecnológica, startups, pesquisadores e instituições de ensino, o programa representa uma oportunidade de transformar propostas de pesquisa e desenvolvimento em soluções com possibilidade de aplicação prática. O benefício, contudo, está condicionado à seleção e às regras da chamada pública, não se tratando de uma distribuição automática de recursos para todas as empresas das regiões participantes.
O aporte de R$ 450 milhões alcança, portanto, um conjunto específico de iniciativas selecionadas no âmbito do Mais Inovação Brasil. A medida amplia o financiamento público para projetos considerados relevantes em inovação e risco tecnológico e mantém o foco na geração de impactos econômicos e sociais no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

