Como escolher um gestor de fundos, não apenas um fundo: o critério que muda tudo na decisão de investimento

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Pedro Daniel Magalhães

Pedro Daniel Magalhães, executivo com atuação no mercado financeiro e em crédito estruturado, identifica um erro sistemático entre investidores que estão ampliando sua exposição a fundos de investimento: eles escolhem o fundo, mas não avaliam o gestor. Essa distinção parece sutil, mas tem implicações profundas sobre a qualidade da decisão de investimento e sobre o resultado que o investidor vai obter no longo prazo.

Um fundo é um veículo. Na prática, quem decide o que fazer com o capital dentro desse veículo é o gestor. Dois fundos com a mesma categoria, o mesmo benchmark e a mesma taxa de administração podem entregar resultados radicalmente diferentes ao longo de cinco anos dependendo de quem está tomando as decisões de investimento. Ignorar essa dimensão humana na análise de fundos é tratar um negócio de pessoas como se fosse um produto padronizado.

O que a rentabilidade histórica revela e o que esconde?

A rentabilidade passada é o dado mais consultado e o menos confiável na análise de fundos. Não porque seja irrelevante, mas porque precisa ser interpretada no contexto correto para ter significado. Isso porque um fundo que entregou retorno expressivo nos últimos três anos pode ter se beneficiado de um ciclo de mercado favorável à sua estratégia, e não necessariamente de uma gestão superior.

Sob a ótica de Pedro Magalhães, o teste real da qualidade de um gestor não está no retorno em períodos favoráveis, quando quase todo mundo ganha. Está no comportamento do fundo em períodos adversos. Como o gestor reagiu quando o mercado virou? Quanto o fundo caiu em relação aos pares? Com que velocidade recuperou? Essas perguntas revelam muito mais sobre a competência e a disciplina da equipe de gestão do que qualquer janela de retorno em um mercado favorável.

Os sinais que indicam qualidade de gestão antes dos números

Existem indicadores qualitativos que precedem os resultados quantitativos e que investidores mais experientes aprendem a valorizar. A clareza na comunicação com os cotistas é um deles. Na prática, gestores que explicam com transparência o que fizeram, por que fizeram e o que aprenderam com os erros constroem uma relação de confiança que vai além do retorno do mês.

Pedro Daniel Magalhães
Pedro Daniel Magalhães

Pedro Daniel Magalhães está inserido num contexto em que a consistência da equipe de gestão é tratada como fator crítico na avaliação de fundos. Em vista disso, gestoras com alta rotatividade de profissionais-chave, com mudanças frequentes de estratégia ou com comunicação opaca sobre períodos de underperformance merecem ceticismo, independentemente do retorno histórico que apresentam.

A armadilha do fundo grande demais para a estratégia

Um fenômeno pouco discutido no mercado de fundos é o problema do crescimento excessivo do patrimônio sob gestão em relação à capacidade de execução da estratégia. Em termos práticos, fundos que crescem muito rapidamente, atraídos por retornos expressivos num determinado ciclo, frequentemente enfrentam limitações que comprometem a performance futura.

Uma estratégia que funciona com R$ 500 milhões sob gestão pode se tornar inviável com R$ 5 bilhões, porque o mercado em que o gestor opera não tem liquidez suficiente para absorver posições do tamanho que o patrimônio maior exige. Pedro Magalhães nota que alguns dos melhores gestores brasileiros fecharam seus fundos para novos investimentos exatamente para preservar a capacidade de execução da estratégia que gerou os resultados que atraíram o capital.

O gestor certo para o momento certo do investidor

A escolha do gestor precisa considerar não apenas a qualidade absoluta da gestão, mas a adequação da estratégia ao momento e ao perfil do investidor. Um gestor brilhante em estratégias de crédito privado pode não ser a escolha certa para um investidor que precisa de liquidez diária. Um fundo com histórico consistente de renda variável pode ser inadequado para quem tem horizonte de investimento de dois anos.

Para Pedro Daniel Magalhães, essa adequação entre estratégia do gestor e necessidade do investidor é o critério final que une todos os outros. Encontrar um bom gestor é necessário, mas não suficiente. Encontrar o gestor certo para o seu objetivo específico é o que transforma uma boa decisão de investimento em uma decisão excelente.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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