A rotina dos líderes de alta performance que Márcio Alaor de Araújo recomenda

Diego Velázquez
Diego Velázquez
5 Min de leitura
Márcio Alaor de Araújo

Márcio Alaor de Araújo frisa o dado de que presidentes de grandes empresas trabalham em média 62,5 horas por semana, segundo um estudo de Harvard, porém, o dado mais revelador da pesquisa é outro: apenas 43% desse tempo, na média, ia para a agenda que os próprios líderes consideravam prioritária.

A distância entre esforço e foco desmonta uma crença popular sobre mentalidade de alta performance: a de que ela se mede em horas, disponibilidade permanente e agenda lotada. Entre os executivos pesquisados, a fatia dedicada às prioridades variou de 14% a 80%, embora todos trabalhassem muito.

Mais do que o volume de trabalho, o que separava esses líderes era a forma de usar o tempo. É aí que entram hábitos menos vistosos do que acordar às cinco da manhã, e bem mais eficazes. Vamos entender quais são.

Por que jornada longa não é sinônimo de alto desempenho?

Pense em um diretor que chega às sete, sai às nove da noite e passa o dia saltando entre reuniões e mensagens. Ao fim da semana, ele esteve em tudo e decidiu pouco. A agenda foi preenchida pelas demandas de quem pediu primeiro ou falou mais alto.

Porter e Nohria, autores do estudo, alertam para isso: sem uma agenda pessoal definida, as demandas mais barulhentas assumem o controle. O cansaço acumulado piora o quadro, porque decisões tomadas no fim de dias longos tendem a ser mais conservadoras ou mais impulsivas do que deveriam.

Proteger tempo para o que só o líder faz

Bloquear na agenda períodos sem reuniões para pensar, ler e preparar decisões é o ponto de partida. Quem sustenta alto desempenho trata esses blocos como compromissos firmes, e não como folgas que qualquer urgência pode ocupar.

Márcio Alaor de Araújo sugere começar por um inventário: registrar por duas semanas para onde o tempo realmente vai e comparar com as três prioridades do trimestre. O exercício costuma revelar reuniões herdadas, relatórios que ninguém lê e decisões que já poderiam ter sido delegadas.

Márcio Alaor de Araújo
Márcio Alaor de Araújo

Delegar, aliás, faz parte do hábito e não é favor à equipe. Cada decisão que sobe sem necessidade para o topo consome atenção do líder e tira autonomia de quem está mais perto do problema. Proteger o próprio tempo é, no fundo, uma forma de desenvolver o time.

Tratar energia como recurso de gestão

Márcio Alaor de Araújo elucida que o mesmo estudo de Harvard trouxe um dado que contraria a imagem do executivo que dorme pouco. Os presidentes acompanhados dormiam, em média, 6,9 horas por noite e reservavam cerca de 45 minutos diários para exercício físico.

Julgamento, paciência e capacidade de ouvir estão entre os primeiros recursos a se esgotar sob privação de sono e estresse contínuo, e são justamente os que um líder mais usa. Cuidar da energia, por isso, é menos questão de conforto individual e mais de qualidade das decisões.

Avaliar decisões, e não apenas resultados

Uma aposta bem fundamentada pode dar errado, e uma decisão ruim pode dar certo por sorte. Para separar uma coisa da outra, Márcio Alaor de Araújo indica o registro das decisões relevantes no momento em que são tomadas, com premissas, riscos e resultado esperado.

Meses depois, a comparação entre o que se esperava e o que aconteceu mostra se o problema estava na análise, na execução ou no acaso. Sem esse registro, a memória reescreve a história, e o executivo tira lições erradas dos próprios acertos e fracassos.

Alta performance é sistema, e não traço de personalidade

Somados, esses hábitos mostram que a mentalidade de alta performance tem menos a ver com temperamento e mais com método. Não depende de ser incansável, e sim de montar rotinas que protejam atenção, energia e aprendizado, mesmo nas semanas mais caóticas.

Essa leitura tem consequência prática para quem forma líderes. Em vez de procurar pessoas que suportem mais pressão, as empresas ganham ao ensinar gestores a desenhar a própria semana, dando o exemplo a partir do topo.

Talvez por isso Márcio Alaor de Araújo resume que os executivos mais bem-sucedidos raramente parecem os mais ocupados. Parecem, antes, os que sabem com clareza onde a própria presença faz diferença e têm disciplina para estar ali, e só ali, quando importa.

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