Eleições 2026 em Pernambuco: disputa pelo governo do estado promete ser uma das mais acirradas do Nordeste

Diego Velázquez
Diego Velázquez
6 Min de leitura

Com Raquel Lyra buscando a reeleição e João Campos como principal pré-candidato da oposição, Pernambuco se prepara para um dos embates eleitorais mais aguardados do país

Faltando pouco mais de quatro meses para o primeiro turno das eleições de outubro de 2026, Pernambuco já vive a temperatura própria de uma campanha aquecida. A disputa pelo governo estadual promete ser uma das mais observadas do Nordeste, com a governadora Raquel Lyra (PSDB) posicionada para buscar a reeleição e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) figurando como o principal nome da oposição. Segundo análise publicada pelo Jota em junho deste ano, a competição deve se concentrar entre as duas lideranças, embora outros nomes também circulem no cenário político pernambucano, como Gilson Machado, Eduardo Moura e Ivan Moraes. O calendário eleitoral está se tornando progressivamente mais intenso, com prazos importantes definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para os partidos ao longo de junho e julho. Ao mesmo tempo, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) já comunica ajustes em seu expediente, refletindo a proximidade do período mais exigente da preparação eleitoral.

Raquel Lyra e o desafio da reeleição

Governar Pernambuco no primeiro mandato nunca foi tarefa simples, e Raquel Lyra sabe disso. Ela assumiu o executivo estadual em 2023 com a missão de reorganizar as finanças públicas e avançar em áreas como educação, saúde e segurança. Ao longo dos últimos três anos, seu governo adotou medidas que geraram reações distintas na população e nos movimentos políticos do estado. Entre as iniciativas de maior repercussão recente está a transferência do ponto facultativo de Corpus Christi para a véspera do São João, decisão que gerou debate sobre a autonomia do estado na gestão do calendário de servidores públicos. A medida, publicada pela Secretaria de Administração no Diário Oficial, foi vista por uns como pragmatismo administrativo e por outros como interferência na tradição religiosa, embora juridicamente não tenha alterado o caráter litúrgico da celebração. Para a reeleição, Lyra precisará consolidar apoios no interior do estado e responder às críticas da oposição de forma convincente durante os debates que se aproximam.

O Tribunal Regional Eleitoral informou que o expediente do TRE-PE será reduzido no dia 23 de junho, em função dos festejos juninos, com atendimento ao público das 8h às 12h. No dia 24, o órgão ficará fechado. Os prazos processuais que vencerem no dia 23 ficam prorrogados para o dia 25. Esse tipo de comunicado, aparentemente rotineiro, evidencia como o aparato eleitoral já começa a funcionar em modo de atenção redobrada, preparando a estrutura para os meses decisivos que se aproximam.

João Campos e a aposta na força do nome recifense

Do lado da oposição, a figura de João Campos concentra as maiores expectativas. O ex-prefeito do Recife construiu ao longo de dois mandatos à frente da prefeitura uma imagem associada à eficiência na gestão urbana, à revitalização do centro histórico da cidade e ao investimento em cultura e educação. Seu desempenho nas eleições municipais de 2024, quando foi reeleito com expressiva margem de votos, consolidou seu nome como um dos políticos mais bem avaliados do Nordeste. A transição do cargo de prefeito para candidato ao governo estadual implica, contudo, uma narrativa diferente: enquanto na prefeitura o campo de atuação é mais delimitado e visível, o governo do estado exige uma visão mais ampla, que inclua o Agreste, o Sertão e o litoral pernambucano, regiões com demandas e dinâmicas sociais bem distintas daquelas do Grande Recife.

O papel do calendário eleitoral e o que vem pela frente

Junho é um mês de decisões importantes para os partidos políticos que disputarão as eleições de outubro. Segundo o TRE-PE, o mês começa com datas-limite para que os partidos se manifestem em relação ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundo eleitoral. A decisão sobre aceitar ou renunciar ao fundo define, em grande medida, o poder de fogo financeiro de cada candidatura nos meses seguintes. As convenções partidárias, que oficializam os candidatos, ainda estão por vir, e é nesse momento que o quadro de alianças costuma ficar mais claro. Em Pernambuco, onde as forças políticas têm histórico de acordos complexos entre partidos de diferentes espectros, o jogo das coligações pode alterar significativamente o peso eleitoral de cada nome. Os próximos meses serão decisivos para definir quem disputará com mais força o Palácio Campo das Princesas em 2027.

Fontes: Jota | TRE-PE | CNN Brasil

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Compartilhe este artigo